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quinta-feira, junho 15

Meu Bom e Velho Amigo


Meu Bom e Velho Amigo

Meu amigo...
Meu bom e velho amigo
Você sempre será um lagarto rei
Eu serei a letra que te acompanha

A vida só terá sentido
A vida só nos dará sentido
Quando descobrirmos a verdade

Podemos sair por aí, meu grande amigo
E trocarmos as nossas faces
Eu seria um rei com as tuas escamas brilhantes
E você seria um revolucionário 
Descalço e transparente como na letra do Doors

A vida só terá sentido 
Meu velho e bom amigo
Quando descobrirmos a verdade

É verdade que as ruas hoje são pavimentadas
E aquela longa estrada de terra já não existe mais
Mas a poesia não morreu
Nenhuma verdade morrerá, meu velho amigo
Estou falando da nossa amizade
E dos tempos que ficaram para trás

A vida só terá sentido 
Meu velho e bom amigo
Se em nós prevalecer à verdade

A mochila do tempo pesou em nossas costas
Com bagagens de ferramentas desconhecidas
Neste deserto de ideologias enlouquecidas
Existe um lago onde posso ver o teu rosto
Basta meu bom e velho amigo olhar para ele

As mesmas garotas que conhecemos
Compartilham da mesa o nosso pão, a nossa trilha...
"Anas e Tatis", no singular é claro!
Todo herói ou louco não pode viver sozinho
Mas jamais se esqueça meu bom e velho amigo
Juntos, poderemos derrubar os reis
Como diria nosso bom e velho Renato

A vida só terá sentido
Meu velho e bom amigo
Se em nós prevalecer à verdade.

“Inspirado no amigo Marcelo Martins” 

Marcelo Henrique Zacarelli
Mauá, 20 de fevereiro de 2006.

São Paulo



São Paulo

Há quase meio século
O pátio do colégio Anchieta
Que o digam os mais antigos
Sapateiros da rua direita

A independência de Dom Pedro
O regime monarquista
Tanta gente cresceu nesta cidade
Hospitaleira de turistas

Na praça da Sé o marco zero
A catedral, os mendigos e camelôs...
A marca registrada desta terceira maior cidade
Que nos apieda o cristo redentor

O museu Ipiranga
Estação Roosevelt e Cambuci
Do coração da cidade à periferia
Histórias sofridas por quem passou por aqui

Metrópole gigante
De esqueletos de concreto
De quem amanhece trabalhando
És a terra da garoa
São Paulo dos apóstolos
Mãe que a todo filho perdoa.

“Homenagem a São Paulo 450 anos”

Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 26 de março de 2004.


Bairro da Penha



Bairro da Penha

O velho pontilhão onde o trem destoa
A velha catedral
Quem quer ver que venha
E o antigo botafogo da penha

O shopping que furtou a tradição
Da romântica época das freiras
Júpiter, penharama e São Geraldo
Que saudades dos cinemas da penha

Nas décadas de outrora 
O bonde se fez presente
Aos falecidos deste cemitério
Eu vos rogo a Deus que o tenha
Na avenida amador Bueno
Da Veiga e também da penha

O mercadão da Gabriela mistral
O largo do rosário
Onde os pombos se alimentam
Nos dias de hoje
Podem ser vistos do metrô
Este bonito bairro da penha.

“Homenagem a São Paulo 450 anos.”

Marcelo Henrique Zacarelli 
Itaquaquecetuba, 26 de março de 2004.

Amarelinha


Amarelinha

Risco de tijolo no asfalto quente
Lembro tua mão um retângulo desenhar
Sentada na calçada por vez impaciente
A espera de um carro depressa a passar

Arquiteta de um desejo de infância
Engenheira na vontade de brincar
Outrora a lembrança quando criança
Tão jovem no peito teima a visitar

A casca de banana sobre as mãos
Espera dentre o número acertar
A certeza quando erra de que não
Outra chance se a parceira vir errar

O pó do tijolo logo enfraquece
Na amarelinha do pula saci
Contorna o retângulo que jamais esquece
E acaba teu sonho com a chuva a cair

Despede do asfalto o sonho de menina
Das mãos pequeninas o tijolo a quebrar
Dos pés à vontade de pular amarelinha
Que a chuva invejosa se apressa em apagar.

Marcelo Henrique Zacarelli
Village, 29 de abril de 2008.

A Lua Veio Não


A Lua Veio Não

Hoje a lua está tão bela, singela...
Posso ver dentre as cortinas
Amarela, da janela, a lua tão bela

Hoje a lua está tão tímida, desinibida...
Posso vê-la escondida, sem vida!
Da guarita, a lua tão tímida

Hoje a lua está tão fria, perdeu a magia...
Posso vê-la banhada de orgia
Sentado no banco da praça, a lua tão fria

Hoje a lua está de tarde, na metade...
Posso vê-la sem vaidade, sem claridade!
Tenho saudade, da lua, esta tarde

Hoje a lua está tão cheia, vagueia...
Posso vê-la da fogueira, até tonteia!
Embriagada no céu, a lua que vagueia

Hoje a lua está de luto, absoluto...
Poso vê-la em tom escuro, astuto!
Caminhando como um vulto, a lua de luto

Hoje a lua está minguante, delirante...
Posso vê-la tão errante, num instante!
Contemplando os amantes, alua fascinante

Hoje a lua veio não, solidão...
Não posso vê-la do sótão, sem razão!
Não me deu explicação, talvez esteja
Escondida no Japão, a lua veio não.

Marcelo Henrique Zacarelli 
Itaquaquecetuba, 19 de setembro de 2001.


Avenida Paulista



Avenida Paulista

Do passageiro ao motorista
De quem mora na cidade ou é turista
É de vós a avenida paulista

Do bêbado ao equilibrista
Em vossa letra por Elis Regina
Em algoz vos encontrastes
Em meio à avenida paulista

Ao homem trabalhador
À mulher doméstica
Até vós que soes artistas
É certo que por aqui passais
No centro da avenida paulista

Aos amantes do futebol
O corintiano, palmeirense e até santista
O importante é que vos encontrais
De vez em quando aqui na paulista

Nos versos desta poesia
Citei católicos, apostólicos e umbandistas
Se algum dia tomais-vos por egoístas
Não esqueceis jamais 
Da bonita avenida paulista.

“Homenagem a São Paulo 450 anos”

Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 26 de março de 2004.

A História da Bola


 A História da Bola

Lá vem a bola, desacreditada de si mesma
Às vezes vem rolando, às vezes chorando...
Lá vem ela, otimista a procura do gol
Insatisfeita e realista, chutada e desprezada
Um pouco apressada, a procura do gol

Lá vem a bola, indignada por si mesma
Nos campos de pelada, maltratada e pisada
Lá vem ela, oportunista e mal intencionada
Protagonista da garotada
Um pouco cansada, a caminho do gol

Lá vem a bola, idolatrada, más não por si
Observada pela torcida impaciente
Ao mesmo tempo adorada e odiada
Lá vem ela, disputada e disparada
Porém a trave desesperada a impede
A incrédula bola despede-se do gol

Lá vem a bola, estática por si mesma
Ansiosa na marca da cal
Com frio na barriga no momento decisivo
Lá vem ela, espalhafatosa e veloz
Rompendo a linha divisória
É gol... I ki golaço!!!! Como diria Silvério;
Alegria de uns, tristeza de outros
Lá vem a bola outra vez, a caminho do centro
Carregada com tristeza, por quem a pegou.

“Esta é uma justa homenagem à bola, que num espaço de 90 minutos, pode fazer sorrir e chorar ao mesmo tempo uma mesma pessoa”.

Marcelo Henrique Zacarelli 
Itaquaquecetuba, 05 de Agosto de 2003   

domingo, maio 28

Amor pela Metade


Amor pela Metade    

Saudade como dói esta saudade
Dentro do meu peito, do meu lado esquerdo
Maldade por que fica esta maldade
Junto do meu leito, no meu pensamento

Tristeza me invade a tal tristeza
Minando minha alma, tirando minha calma
Madrugada, quando cai a madrugada
Me sinto tão sozinho, me falta um carinho

Verdade, só existe uma verdade
Que eu sinto a tua falta, do desejo que me assalta
Certeza só me falta uma certeza
Da certeza que me amas, do meu corpo que reclama

Esperança, só me resta uma esperança
De esperar por esta tarde, nem que for a eternidade
Um amor pela metade, quem espera sempre alcança.


Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 09 de outubro de 2001.

Adolescente Perdida


Adolescente Perdida

Mulher criança que a todos encanta
Dona de um sorriso inocente, olhar descontente
És mulher de fato em seus atos
És criança crescida, adolescente perdida
Criança mulher que a todos engana

Na escultura do teu corpo
Na bravura do teu rosto
És criança no teu jeito de convidar
És mulher na beleza de deitar

Faz do coração do homem brinquedo
Sem esforço experiência ou segredo
Desejo oculto esconde em seu peito
Menina insolente rebelde e sem jeito

Te quero mulher, quando me amas a todo o momento
Não te quero criança quando brincas com meu sentimento
Te quero criança adolescente perdida
Não te quero mulher, assim ousada e despida
Não importa se és mulher ou criança
Eu preciso te amar e não perco a esperança.

"Homenagem à Jéssica Kattiúcia"

Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 20 de abril de 2002.


Aço da Saudade



Aço da Saudade

Lamina cega que ao pulso cerra
O frio do teu metal confronta-lhe a face
Que ocultas sinais e tremores

O teu golpe que do frio sangue jorra
Esvaziar se faz em copos rasos
Um sorriso disperso e atento

Inquieto espera o desferir
Não mais que o tempo o machuca
O aço da saudade que penetra
Sóbrio o corpo empilha na vala
A guia o toma como morto
Da bebida que exala pela entranha

Usurpar se faz na insensatez
Á cólera que teu rosto assola
A solidão que dispersa em pensamento

Entorpecido arremessa teus olhos ao céu
Do arrependido Deus que lhe oculta à face
Torto mendigo de esfacelados pecados

Se o inverno que à tarde traz e o congela
A lápide envelhecida em negrito o traga
A voz amarga que cala por vez
Outrora não só a matéria que desfaz
A maldita saudade como homem carregou.

Marcelo Henrique Zacarelli 
Arujá, 01 de Abril de 2008.


No Silêncio do Seol


No Silêncio do Seol

Quero ser o seu poeta
Seu amigo destemido
Ser um cântico sofrido
A bebida predileta

Quero ser o seu caminho
Pelos campos ou deserto
Quando longe ou bem perto
Emprestar-te o meu carinho

Quero ser a sua bravura
Sua conduta na coragem
A esperança na mensagem
Sentimento que perdura

Quero ser tua inspiração
O acalento do teu colo
A firmeza deste solo
O pulsar do coração

Quero ser a ansiedade
Do teu peito sem maldade
No teu corpo à vontade
Dos teus dias a saudade

Quero ser a tristeza
De um dia sem sol
Ser a alma que descansa
No silêncio do seol.

Marcelo Henrique Zacarelli 
Itaquaquecetuba, 25 de setembro de 2001.

Monótonas Ruas de Terra



Monótonas Ruas de Terra

Vento que passa como música
Folhas secas a bailar
Sem destino voam lúcidas
Sem lugar pra descansar

Neves emprestam um branco
Forram os canteiros de gelo
Tais como um sorriso brando
Perdem-se em minutos de desejo

Folhas desbotadas pelo chão
Retrato da primavera esquecida
Chuva fina de verão
Refrescam a cidade adormecida

As luzes se apagam nas praças
Ofusca a beleza do encontro
Meninos chutando lata
Pensamentos em meio aos escombros

À tardinha invade a tristeza
Deixando a saudade para o dia que vem
Monótonas ruas de terra
Traz à lembrança o rosto de alguém

A noite cai vestida de medo
Escurece o caminho da estrada
Faz acender no corpo o desejo
E traz a fisionomia do semblante da amada.


Marcelo Henrique Zacarelli 
Itaquaquecetuba, 21 de agosto de 2001.




Sentimentos e Mantimentos


Sentimentos e Mantimentos

O encanto acabou-se, acabou-se o encanto
Acabou a farinha, a manteiga e o sossego
Acabou-se! Mesmo que por enquanto

Acabou o que chamo de desejar
O que chamo pelo nome e nem nome tem
E mesmo se tivesse não o chamaria
Mesmo que por engano

Acabou-se o pão, o sabão e a razão...
Acabou que bom
Acabou-se tudo, nem tudo se acabou
Acabou o que chamo de expirar
Só não acabou o encanto que ficou por vir.

Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 31 de outubro de 2002.




Chance


Chance

Descalço na areia frente ao oceano
A onda vem e molhas os meus pés
E conseqüentemente volta para os seios do mar
Por que não posso voltar?

Assim se faz o vento
Vem de onde não se imagina
E vai para onde ninguém determina
Assim sou nessa sua vida

Preciso apenas uma chance pra recomeçar,
Você precisa de um milhão de motivos pra me aceitar
A imensidão do mar me deixa muitas dúvidas
Tamanha é a grandeza da sua solidão
Não é diferente no deserto que
Mostra-se no meu coração

Sem você não faz sentido a vida
Preciso apenas uma chance pra me encontrar
Estou perdido nas esquinas
Embriagado neste bar, pedindo pra voltar

Existe uma vontade dentro do meu peito pedindo pra gritar
Mas o silêncio que descansa nos teus olhos
Impedem-me de falar
Preciso de um instante para respirar
Preciso de uma chance pra recomeçar.


Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 08 de janeiro de 2002.


Peito em Carta



Peito em Carta

Pensamento que não para quieto
Cria asas imagináveis pra te ver
O tanto que te amo já não sei bem certo
Saudade me invade da vontade de morrer

Sobrevoa por cidades e arranha-céus
Pensamento louco indomável
Que me apanha pelos ares, farto de visão!
E ao mesmo tempo solitário

Pensamento que não para; inquieto...
Faz desta minha carne solidão
Teu sangue que escorre em minhas veias
Faz sangrar meu dilacerado coração

Se lhe enviar o meu peito em carta
Tão farto de tristezas em vão
Tal carteiro se despediria aflito
Conteúdo de uma escrita sem razão

No outono esperança vira folhas
Bailarinas pelo vento a voar
Amarelas vão doentes em rumores
De mansinho em teu peito aconchegar

Para os lados de cá amanheceu tão cinza
Pigmentos de um jardim sem flor
Sem você minha alma agoniza
Lágrimas torturadas viram brisas
Arco-íris entardece incolor.

"Homenagem à Paloma C. Zacarelli"

Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 23 de julho de 2003.